Keep calm e vamos viajar!

 

Como muitos me pedem, vou compartilhar para quem tiver interesse de ler, algumas experiências que tive na viagem feita meio que de surpresa, mas até que bem planejada, para a Itália. Ela trouxe muita coisa boa e muito aprendizado. Vou contar algumas situações e curiosidades que presenciei. Algumas engraçadas, outras curiosamente estranhas. Irei dividir em vários post, pois é muita informação para apenas um só, seria demasiadamente cansativo tanto para mim que escrevo, como para você que vai ler…haha.

Bom, eu sempre soube que viajar era bom, apesar de ter no máximo feito algumas viagens pequenas e todas dentro do Brasil. Todos sabem que viajando, você conhece gente nova, cultura nova e lugares novos. Essa primeira viagem que fiz para fora do Brasil me proporcionou sensações diferentes, mas com certeza boas e guardarei para sempre as coisas que vi e vivi nela. E para mim, a aventura dessa viagem, já começou no próprio avião.

Sim! O avião! Quando entrei nele, eu realmente me senti deslocada e fora da realidade. Me vi parada e imóvel dentro daquele imenso avião, tentando captar cada detalhe que estava vendo. Eu sempre soube que o mundo era grande, que a diversidade de pessoas e culturas era quase infinita, mas quando você vê isso com seus próprios olhos, é diferente. Sentir isso é diferente. E o primeiro choque de realidade foi ali, no avião, que tinha destino ao Marrocos, já que faríamos conexão lá.

Quando entrei naquele avião, eu parei, olhei em volta, e me assustei! Sim eu me assuntei! E olha que geralmente eu sou bem corajosa…haha. Como era uma viagem sem data de retorno para o Brasil, confesso que até passou pela minha cabeça voltar. Questionei se eu estava realmente preparada, veio todos as inseguranças possíveis, até mesmo o de não falar outra língua que não seja o Português ou o básico do Inglês da escola. O frio na barriga aumentou e o medo apareceu.

Me vi pensando se me adaptaria, se conseguiria me comunicar. E se der tudo errado? A mente vai longe, longe até demais quando o medo toma conta. Mas o diferente, e tudo que está fora do nosso padrão de vida costumeiro, nos causa certo receio. E às vezes, nossa mente nos sabota, nos fazendo acreditar que por ser mais fácil não mudar é melhor permanecer onde estamos e não arriscar. Mas não é assim que deve funcionar, o novo nem sempre é ruim. Ignorei todas as inseguranças e é claro, não iria sair correndo, por mais que eu quisesse. (haha)

O choque, se é que posso chamar assim, se deu por ver tantas pessoas diferentes, cada uma falando sua língua, vestindo roupas totalmente diferentes para nós, agindo de acordo com sua própria cultura. Enquanto eu andava até chegar no meu assento no avião, eu passava por árabes, franceses, ingleses, alemães, tinha um que devia ser cowlboy do Texas, porque sério mesmo, ele estava até de chapéu e mastigando um “pauzinho” (hahaha).

Claro que não tive medo das pessoas em si, em hipótese alguma, mas como eu disse, saber da diversidade do mundo e presenciá-la, pra mim ao menos, foram coisas diferentes. Então foi o medo do novo e do inesperado que tomou conta de mim, naquele momento. A questão é que ali, no meio de tanta gente diferente, foi onde comecei a ver com meus olhos a concepção de mundo que até então, eu tinha apenas na minha cabeça de maneira teórica. E foi onde percebi o quanto o mundo é realmente curioso e o quanto somos únicos a nossa maneira em um mundo extremamente complexo e grande, e passei a ver isso na pratica, ali naquele avião.

 Alguns podem achar exagero, mas para uma pessoa que praticamente viveu sua vida no Sul do Brasil. E suas viagens se resumiam a ir de uma cidade do Rio Grande do Sul a outra de Santa Catarina. E foi uma  vez ao Rio de Janeiro, mas sequer foi a pontos turísticos, pois foi uma viagem profissional, pode não ser tão exagero assim. Com certeza, um simples avião cheio de gente de vários lugares do mundo, que você não faz ideia do que estão falando, inclusive a própria tripulação do avião, já é o suficiente para esse espanto. Mas o que quero dizer, é que meu primeiro contato com o restante do mundo e suas diversidades se deu ali, naquele avião, por isso essa montanha russa de medos e sensações.

Depois de aproximadamente 8h de voo,o avião pousou no Marrocos.  Por mais que eu não falasse bem nenhuma das línguas que falavam por lá, achei o povo muito simpático e receptivo. A grande maioria ria com frequência  e eram gentis no modo de agir. La vai uma dica: nunca leve um globo que não retrate a dimensão territorial exata do Marrocos, sob pena de levar advertência por escrito! (Haha) Isso aconteceu com uma família que conhecemos no próprio avião, os quais eram brasileiros também. O filho deles havia ganhado um pequeno globo do avô e levaram para ele brincar. Quando eles passaram em uma das muitas revistas, eles acharam o tal globo na mala de mão. E o pessoal que realizou a revista, acabou levando eles para uma sala onde permaneceram pelo menos por meia hora, e saíram de lá com uma advertência por escrito. Eles entenderam como uma ofensa ao país do Marrocos, retratar o mesmo em uma dimensão menor que a realidade naquele mero globo de brinquedo.

Como foi apenas conexão e chegamos à noite, fomos direto para um hotel, para no outro dia cedo, embarcar para Roma, então não tem muita história sobre o Marrocos. Uma outra dica, definitivamente não dê gorjetas na moeda brasileira, eu fiz essa besteira. Não tínhamos trocado as notas em Euro, possuindo apenas notas altas. E como ainda tínhamos notas em Reais, foi o que dei a ele. Mas o rapaz do hotel só faltou jogar no lixo, e mesmo assim, acabou me parando no corredor tempo depois, para pedir a gorjeta, dessa vez em Euro, o que acabei dando rapidinho. Provavelmente fiquei conhecida como a turista sem noção que da gorjetas em Reais em pleno Marrocos. (hahaha)

Mas ocorreu tudo bem nessa noite no Marrocos. Embarcamos e após aproximadamente 3h30min chegamos em Roma, na Itália, país que era o destino final. Uma curiosidade é que ainda no hotel em Marrocos, no banheiro do quarto, notamos uma coisa diferente, não tinha lixeiro ao lado do vaso sanitário como nos banheiros no Brasil. Havia apenas um embaixo da pia, mas suficientemente longe do vaso, o que fez com que eu puxasse para perto, e claro, estranhei o fato de deixarem tão longe. Chegando em Roma, fomos para um hotel, no qual tinha esse mesmo sistema de lixo que se encontrava realmente longe do vaso. Cheguei a ficar irritada e pensei: qual a dificuldade de colocar esse lixo mais perto!? Pra que dificultarem as coisas assim? E puxei novamente para perto do vaso. Quando cheguei na casa onde iríamos ficar, em Roseto Degli Abruzzi, descobri que o banheiro da casa sequer tinha lixeiro no banheiro. Isso mesmo. E agora? Foi onde descobri que desde o Marrocos, e em toda a Europa, é comum não ter lixeiro, e jogar o papel no vaso. E aqueles lixeiros posicionados estrategicamente longe do vaso, não eram para papeis higiênicos. Quem limpou os quartos nos hotéis deve ter tido uma surpresa ao recolher os lixos (haha). Depois levei mais um tempo para descobrir o que fazer com o absorvente, mas enfim, deu tudo certo no final. (haha)

Outro costume diferente, mas que algumas regiões do Brasil já fazem, é não darem sacolas nos mercados. Ao passar no caixa suas compras, os itens ficam ali, e a atendente te agradece, se despede e já atende o próximo cliente.  Você tem que pegar e sair com as coisas na mão, ao menos é o que você faz quando não faz ideia de como pedir uma sacola em Italiano. (haha). Descobrimos mais tarde, depois de carregar as compras nas mãos, que você pode pedir uma sacola e vai pagar um valor por ela, então tem que ser antes de fechar a nota, ou o que a maioria faz, deve levar a sua sacola de casa.

Quanto a Itália, todo mundo diz isso, mas eu também tenho que dizer: a Itália é linda! E além de linda ela tem muita história e bagagem junto com ela, o que a torna mais impressionante ainda. As paisagens são lindas, as ruas em grande parte das cidades são realmente estreitas, motivo que faz com que fiquem mais charmosas ainda. Sempre ouvi que os italianos eram de certa forma, hostis, mas na minha opinião, não é bem assim. Alguns podem não ter muita paciência para repetir as informações que você pede e não consegue entender e podem parecer realmente estressados. Alguns de fato são, mas é assim em qualquer lugar do mundo, não é? Mas a grande maioria te recebe muito bem e são extremamente gentis.

O que eu percebi e a cada dia presencio mais, é que se trata de um povo intenso e expressivo, tanto na maneira de lidar com as pessoas como na maneira de viver a vida.  Se eles se irritam eles deixam claro isso, o que alguns podem interpretar de uma maneira ruim. Mas quando são gentis, são únicos em te fazer sentir-se em casa. Eles sabem viver e aproveitam bem a vida que tem. Conheci várias pessoas aqui na Itália, grande parte delas foram extremamente gentis e atenciosas. Não sabem quem você é, nem como você é, e mesmo assim te tratam como alguém amigo, alguém de casa, e isso para quem está longe da sua, faz uma grande diferença. Até agora, estou gostando dessa aventura, e estou ansiosa para descobrir mais coisas que mesmo que pareçam pequenas aos olhos dos outros, somam na minha história de vida e meu conhecimento sobre o  mundo e as pessoas. Viajar é uma escola, onde você aprende sobre o mundo e as pessoas, da melhor maneira que poderia, vivendo!

Marie Eitz

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